Menina Simples
(Dimas Costa)
Menina simples que nasce
Nos confins lá do rincão,
Não tem outra ilusão
Que o trabalho de roça.
Não tem conforto no lar,
E brinca sempre solita,
Usa vestido de chita,
E mora numa palhoça.
Nunca veio pra cidade,
Não conhece a evolução.
Na luta pelo ganha pão,
Há um dia de envelhecer...
Como uma planta silvestre,
Sem retoques, essa menina,
Apenas cumprindo a sina:
Nascer, crescer e morrer.
Eu nasci na cidade
E sinto no coração
Toda sublime emoção
Das coisas lindas de agora.
Às vezes me acordo triste
Pensando na triste vida
Que leva, longe perdida,
Uma moça lá de fora.
E tu, irmã de campanha,
Que nem sabe que eu existo,
Peço por ti a Jesus Cristo,
E digo o que tu não diz:
Se vives só na campanha
E eu tenho um lindo viver,
Só Deus poderá dizer
Qual de nós será mais feliz.
Resgatando uma memória que estava guardada desde os tempos de colégio, nos anos 80. 
Quem já dançou em CTG ou apresentou poesia na escola vai entender o aperto no peito que esse verso dá.
Descobri que essa poesia se chama 'Menina Simples', do mestre Dimas Costa. Ela fala sobre o contraste entre a cidade e o campo, e termina com aquela pergunta que a gente leva pra vida: 'Qual de nós é mais feliz?'.
A força da nossa cultura gaúcha é algo que a gente nunca esquece
.jpg)